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'portugál szerző' címkével ellátott könyvek a rukkolán

 


Davide Cali - Catarina Sobral - The ​House that Flew Away
Getting ​home after a long day s work to find your house flying off now there s an upsetting situation. What can you do? Who should you ask for help? As we all know, buildings don t come with an instruction manual, but even if they did, would anyone think to include a chapter on airborne houses? This story is about that rare phenomenon: a house that takes a notion to take off. There isn t an easy solution to such an unusual event, and the owner of this house doesn t know what to do. Where do you start when your house flies away? The fire department? The police? The civil aviation department? Not easy at all. Still, every cloud has a silver lining, as this owner discovers when his house comes back down to earth.

José Saramago - Seeing
On ​election day in the capital, it is raining so hard that no one has bothered to come out to vote. The politicians are growing jittery. What's going on? Should they reschedule the elections for another day? Around three o'clock, the rain finally stops. Promptly at four, voters rush to the polling stations, as if they had been ordered to appear. But when the ballots are counted, more than 70 percent are blank. The citizens are rebellious. A state of emergency is declared. The president proposes that a wall be built around the city to contain the revolution. But are the authorities acting too precipitously? Or even blindly? The word evokes terrible memories of the plague of blindness that had hit the city four years before, and of the one woman who kept her sight. Could she be behind the blank ballots? Is she the organizer of a conspiracy against the state? A police superintendent is put on the case. What begins as a satire on governments and the sometimes dubious efficacy of the democratic system turns into something far more sinister. A singular novel from the author of Blindness.

José Saramago - Levantado ​do Chão
Um ​escritor é um homem como os outros: sonha. E o meu sonho foi o de poder dizer deste livro, quando o terminasse: «Isto é o Alentejo.» Dos sonhos, porém, acordamos todos, e agora eis-me não diante do sonho realizado, mas da concreta e possível forma do sonho. Por isso me limitarei a escrever: «Isto é um livro sobre o Alentejo.» Um livro, um simples romance, gente, conflitos, alguns amores, muitos sacrifícios e grandes fomes, as vitórias e os desastres, a aprendizagem da transformação, e mortes. É portanto um livro que quis aproximar-se da vida, e essa seria a sua mais merecida explicação. Leva como título e nome, para procurar e ser procurado, estas palavras sem nenhuma glória - _Levantado do Chão_. Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira. Enfim, cá estou outra vez a sonhar. Como os homens a quem me dirijo.

Dulce Maria Cardoso - Os ​Meus Sentimentos
A ​condutora, ferida, de um automóvel que chocou com uma árvore atravessada na estrada, em noite de temporal, revive, bloqueada no carro, de cabeça para baixo, não só os incidentes anteriores ao acidente mas farrapos de toda a sua vida. É esta, sumariamente a história de Os meus sentimentos, o segundo romance, originalmente construído e escrito com muita sensibilidade, por Dulce Maria Cardoso. A mescla de crueza e de senso estético da linguagem produz amiúde um efeito choque, envolvente. Violeta, a vendedora de cosméticos, gasta e rejeitada, que se oferece aos camionistas nas estações de serviço, recorda esse passado próximo e os dias mais distantes do seu viver familiar. Assim vemos surgir nas suas rápidas lembranças, as personganes dos seus pais, da filha, da empregada doméstica, do meio irmão bastardo, um microcosmo que pouco a pouco vem para a luz, com as pequenas vaidades e preconceitos burgueses, no tempo em que Paris era ainda a capital da cultura e do mundo elegante. Igualmente se vão soltando das malhas da narrativa desarticulada outras figuras, as companheiras de trabalho e convívio de Violeta, a criadita comunista. A grande riqueza de todos os eventos memorados, vida em fermentação, com uma grande densidade social, com marcas classistas da época da ditadura, reside na forma como a introspecção se vai fazendo, sem qualquer hierarquia, em manso tumulto. Um romance admirável de observação da decadência, das regras, venenos inocentes, escapismos, pequenas maldades de uma família moldada pelos hábitos do regime deposto no 25 de Abril, que ainda se prolongam durante anos após o corte político da situação. É, repito, um trabalho de escrita muito moderno, de alta qualidade, que aproveita da oralidade os melhores recursos expressivos, misturando-os com ironia, força e talento.

José Saramago - Tutti ​i nomi
Il ​Signor Josè è l'unico che ha un nome proprio in questo romanzo. Il Signor José è scritturale ausiliario presso la Conservatoria Generale dell'Anagrafe di una città anche lei senza nome. Il Signor José è un modello di abnegazione al lavoro e rispetto delle gerarchie. Finché un giorno, dedicandosi alla sua collezione di ritagli di giornale e foto, s'imbatte nei dati di una sconosciuta. E il mite scritturale si trasforma in ladro e falsario, pur di rintracciare la donna senza volto.

Almeida Garrett - Garrett ​több hangon
Kiadványunk ​talán szokatlan vállalkozás. Egy versfordítási pályázat majdnem teljes anyagának megjelentetésére vállalkozik, tisztelgésül a portugál irodalom egyik jeles alakja, Almeida Garrett költő, dráma- és regényíró előtt A versfordítási pályázatot a lisszaboni Camoes Intézet Portugál Nyelvi és Kulturális Központja, és az ELTE Bölcsészettudományi Karának Portugál Tanszéke hirdette meg az elmúlt esztendőben, Almeida Garrett születésének kétszázadik évfordulója alkalmából. A pályázati felhívásra mintegy két tucat fordító küldte el több mint száz versfordítását - a kötelezőként megjelölt Garrett-verseken kívül érkeztek más fordítások is, a portugál romantika előfutárának számító Marquesa de Alorna szonettjeiből, a múlt századi realista Cesario Verde verseiből, és néhány mai portugál költőtől válogattak a pályázók. Mivel célunk elsősorban a portugál irodalom népszerűsítése volt azáltal is, hogy már szakmabeli és még csak készülődő, vagy idegen művek magyarítását esetleg magasrendű szabadidős tevékenységnek tekintő fordítók érdeklődését felébresszük az ibér-félszigeti ország költészete és általában véve irodalma és kultúrája iránt úgy döntöttünk, hogy ösztönzésül - és kuriózumként is - megjelentetjük a pályázatra beérkezett összes Garrett-fordítást. Más költők verseinek fordítását elsősorban abból a meggondolásból hagytuk el, hogy ne bontsuk meg a jeles portugál romantikus alkotó emlékére összeállított kis kötet egységét.

António Lobo Antunes - Az ​inkvizítor kézikönyve
Hogyan ​omlik össze a maradi, avult társadalmi kiváltságait makacsul őrző régimódi Portugália? Hogyan züllik szét testileg, lelkileg, társadalmilag egy földbirtokos-politikus potentát és tündöklő környezete? Az Inkvizítor kézikönyve izgalmas és jellegzetes antunesi prózakísérlet. Szinte a lehetetlenre, az egyidejű megjelenítés próbatételére vállalkozik, olyasmire, mint Picasso többdimenziós hatású festészete, Dos Passos vagy Cela irodalmi "szimultanizmusa". Olyan hitelesen és erőteljesen idézi meg az 1974-es portugál szegfűs forradalom és rendszerváltozás erkölcsi hullámverését, hogy azt mi - a magyar rendszerváltozás haszonélvezői és kárvallottjai egyaránt - csak irigykedve olvashatjuk.

Lídia Jorge - Dama ​Polaca Voando em Limusine Preta
Dama ​Polaca Voando em Limusine Preta relata o encontro entre um motorista e uma passageira durante um percurso que ambos fazem ao longo de uma região gelada. Mas a passageira não é só a passageira e o motorista encobre uma história única. ___ _Sobre a autora_ É autora de vários romances, entre eles _O Dia dos Prodígios_, publicado em 1980, obra que continua a ser de referência na sua bibliografia. _O Cais das Merendas_, _O Jardim sem Limites_, _O Vale da Paixão_, _O Vento Assobiando nas Gruas_ ou _Combateremos a Sombra_ são títulos que têm justificado os prémios nacionais e internacionais que lhe têm sido atribuídos, entre eles o Prémio Albatroz da Fundação Günter Grass, pelo conjunto da sua obra. _A Costa dos Murmúrios_ é um dos seus livros mais traduzidos e foi adaptado ao cinema por Margarida Cardoso. Autora de uma peça de teatro, _A Maçon_, e de um livro de ensaios, _Contrato Sentimental_, tem publicado vários tipos de contos, com destaque para as recolhas _Marido e Outros Contos_, _O Belo Adormecido e Praça de Londres_. Como a sua obra, os seus contos encontram-se traduzidos em várias línguas. O seu último romance, publicado em 2011, tem por título _A Noite das Mulheres Cantoras_.

José Saramago - História ​do Cerco de Lisboa
Raimundo ​Silva, solteiro, solitário, ganha a sua vida exercendo honestamente a sua profissão de revisor tipográfico. Da editora para a qual habitualmente trabalha recebe um dia as provas de um livro de um importante historiador sobre a história do cerco de Lisboa, o primeiro cerco comandado pelo rei Afonso Henriques. Quando chegou àquele capítulo do livro em que o historiador nos informa que o exército de cruzados decidiu dizer sim ao convite do Afonso Henriques para que ajudassem na conquista da cidade, Raimundo Silva substituiu o sim por um não, subvertendo a "verdade" e reescrevendo a história. Como afirma o autor, Raimundo Silva, o personagem principal desta _História do Cerco de Lisboa_ "é um homem simples, vulgar, que só se distingue da maioria por acreditar que todas as coisas têm o seu lado visível e o seu lado invisível e que não lhes tivermos dado a volta completa".

Eduardo Madeira - Um ​Rio Chamado Angustia
Há ​Um Rio Chamado Angústia. E há uma história sobre o nome deste rio. O tom escolhido é o científico. Claro que também existe um ou outro apontamento de humor, mas apenas para disfarçar o facto de o Angústia ser um mastodôntico e sensaborão acidente da Natureza. Não é para isso mesmo que serve a ficção? ___ _Sobre o autor_ Humorista, ator e argumentista, nasceu em Bissau, em 1972, e vive em Cascais. Começou a escrever humor para as Produções Fictícias, sendo coautor de programas como _Herman Enciclopédia_, _Contra-Informação_, _Conversa da Treta_ e _Os Contemporâneos_. Escreveu ainda peças de teatro, telefilmes, filmes e vários livros, entre os quais desta- camos _Nove Estórias_ (2005). O seu conto _Um Tigre não Bebe Tisanas_ está presente na _Antologia do Humor Português_ (2008).

Sandro William Junqueira - Um ​Piano para Cavalos Altos
_Criada:_ ​A Ruiva é sua patroa, o Director é seu patrão; sofre de miopia; não sabe lavar o arroz. _Gato:_ boceja e espreguiça-se frequentemente; mia um segundo antes de acontecer alguma coisa. _Filho:_ não gosta de sopa nem de lobos; toca piano. _Médico Loiro:_ pessoa de palavra; sabe desenhar sobrancelhas; possui o código de acesso ao corpo. _Mensageiro:_ operário da Fábrica; sonha com aquilo que ainda não aconteceu. _Militar Coxo:_ monta um cavalo alto; tem uma perna adivinha. _Militar de Olhos Azuis:_ guarda a fronteira da Zona Amarela; olha para as mulheres com força. _Ministro Calvo:_ chefe do Governo; enquanto come empadas faz ditados e leis. _Peixes:_ seres silenciosos que não julgam; habitam certo aquários e terrinas. _Prostituta Anã:_ faz o que sabe; tem uma cama que fala. Concordemos todos: o perigo que é ouvir pássaros cantarem melodias alegres. O perigo que é! Felizmente, o muro serve de barreira, a floresta fica longe, e os ramos das árvores. Mas não sejamos desprevenidos. A música não é apenas, como muitos julgam, mera organização matemática de sons. Ou: Que bonito!, ou: Que horror! A música também é medicamento: pode a eficácia inata de um poderoso ansiolítico, ou guardar fortes propriedades vitamínicas. Daí alterar estados de ânimo, compassos cardíacos. Posto isso, colocam-se questões indispensáveis: Que música deve o Governo ouvir para se fazer mais forte, e irresistível? E que música permitiremos nós dar a todas as cabeças silvestres e corações toscos que nesta cidade abundam, para que não lhes cresça na boca a espuma de baba raivosa?

José Rodrigues dos Santos - Codex ​632
When ​an aged scholar is found mysteriously dead in his hotel room, Thomas Noronha, expert cryptographer and professor of history, is called upon to finish the man's unresolved investigation. In the course of unraveling the puzzles and cryptograms shrouding his late predecessor's work, Thomas discovers a code that will set him on a breathtaking race across the globe--from Lisbon to Rio to New York and Jerusalem--as he is drawn into one of the greatest mysteries of all time, a shocking revelation that will alter everything we've always believed about one of the world's most celebrated adventurers.

Mario Ramos - El ​más listo
¡Yo ​soy el lobo feroz! -¡Soy el más listo! Hoy será día de festín- ríe maliciosamente el lobo. De menú: Abuelita. Y pequeña frambuesa, de postre. Al llegar a casa de la abuelita, el lobo llama a la puerta: toc, toc, toc. No hay nadie. Solamente un camisón de dormir sobre la cama. El lobo se lo pone y sale para borrar sus huellas delante de la casa. ¡Plam! Una corriente de aire cierra la puerta. El lobo, sorprendido, corre a esconderse en el bosque disfrazado de abuelita...

Fernando Alvim - Amo-te ​Para Sempre
Uma ​história de amor que muitos dizem ser autobiográfica. Um conto que finta o amor e o transforma em definitivo. ___ _Sobre o autor_ É fundador e ideólogo da _revista 365_, do Festival Termómetro, dos Monstros do Ano, do Festival Alternativo da Canção, da Grande Regata de Barquinhos a Remos e do Torneio de Golf para Nabos. Já lançou mais de 5 livros em nome próprio e outros tantos pela editora que dirige, a Cego, Surdo e Mudo. É criador e diretor da speaky.tv e colunista nos jornais _I_, _metro_ e na revista _Playboy_. Apresenta, há mais de 10 anos, o programa Prova Oral, na Antena 3. Em televisão, apresentou os programas Curto Circuito, Cine XL, O Perfeito Anormal (criador), Boa Noite Alvim (criador), 5 Para a Meia-Noite e prepara agora o regresso para o ínicio do ano. Desenvolve o blogue esperobemquenao.blogspot.com e o seu último livro chama-se _Não és tu, sou eu_ (2012).

José Maria Eca de Queirós - Ramalho Ortigao - A ​cintrai út titka
A ​későbbi nagy, realista író és jó barátja a nyári unalomban tespedő portugál fővárost akarta felrázni. A cintrai út titka című, rejtélyes gyilkosságról szóló regényével, amelyet 1870-ben közölt folytatásokban az egyik lisszaboni napilap. A kísérlet túlságosan jól sikerült, mert a regény megjelenése nyomán a jámbor polgárok hónapokig nem mertek sötétedés után végigkocsizni a népszerű kirándulóhelyre vezető országúton. A romantikus elemekben bővelkedő történet, amelyet már a múlt században lefordítottak magyarra, ma is érdekfeszítő olvasmány azoknak, akik szeretik az izgalmas kalandokat, a romantikus szenvedélyeket, és a sírig tartó szerelmeket.

José Maria Eca de Queirós - A ​város és a hegyvidék
A ​XIX. századi nagy portugál realista író, Eça de Queirós kései regényében egy civilizációtól megcsömörlött fiatal portugál nemes tér vissza ősei földjére, Észak-Portugália hegyei közé. A gunyoros hangvételű művet a portugál kritika sokáig úgy értelmezte, mint a "nagy visszatérés" regényét, amelyben a portugál közállapotokat egykor indulatosan ostorozó író megbékél hazájával, és fölfedezi szülőföldje örök értékeit, patriarchális nyugalmát. A harcosan realista regények, mint a magyarul már megjelent _Amaro atya bűne_ és _A főváros,_ majd a XIX. századi Portugália roppant tablóját festő _Maia-család_ után - amelynek megjelentetését ugyancsak tervezi kiadónk - ez a regény az elmaradott Portugáliával elégedetlen fiatal nemzedék kritikája, s egyben az író önkritikája is. A fejlett Európa bűvöletében szülőföldjüket elhagyó portugál világpolgárok élete célok és eszmények híján puszta létezéssé sivárosul a civilizált világ központjában, s létezésüknek talán csak úgy adhatnak értelmet, ha visszatérnek a gyökereikhez, s a hagyományokkal, szűkebb környezetükkel összhangban élnek és munkálkodnak.

Afonso Cruz - Virágok
Két ​férfit sodor egymás mellé az élet: az idősebb egy műtét következtében elveszítette személyes emlékeit, melyeket erősen meghatározott a diktatúra, a fiatalabb pedig a hétköznapokba belefásulva nem tudja, hogyan is tehetné emlékezetessé az életét. Az idősebb nem emlékszik a részletekre, a fiatalabb pedig elveszik közöttük. Hogyan segíthetnének egymáson, ha már magukon sem tudnak? Együtt erednek az elfeledett múlt nyomába, hogy összerakják egy ember történetét mindabból, amit az ismerősei tudnak róla elmondani. A fadoénekesnő, a hős görögök soha nem síró leszármazottja, a főállású bohóc mindannyian mesélni kezdenek, s a történetüket mint egy-egy szál virágot nyújtják át. Talán sikerül a virágokból összerendezni egy csokrot. Talán sikerül felvenni a harcot az ürességgel. Talán a virágok megmutatják mindazt, amiről nem szabad soha megfeledkeznünk. Talán mindkét férfinak sikerül méltóvá válnia a virágokhoz.

José Saramago - A ​Caverna
Uma ​pequena olaria, um centro comercial gigantesco. Um mundo em rápido processo de extinção, outro que cresce e se multiplica como um jogo de espelhos onde não parece haver limites para a ilusão enganosa. Este romance fala de um modo de viver que vai sendo cada vez menos o nosso e assoma-se à entrada de um brave new world cujas consequências sobre a mentalidade humana são cada vez mais visíveis e ameaçadoras. Todos os dias se extinguem espécies animais e vegetais, todos os dias há profissões que se tornam inúteis, idiomas que deixam de ter pessoas que os falem, tradições que perdem sentido, sentimentos que se convertem nos seus contrários. Fim de século, fim de milénio, fim de civilização.

José Saramago - Terra ​do Pecado
_Terra ​do Pecado_ é o primeiro romance de José Saramago. A primeira edição data de 1947. E só cinquenta anos depois, em 1997, o autor concordou em publicar a segunda edição. No ano seguinte, José Saramago é galardoado com o Prémio Nobel de Literatura. Entre uma e outra data é toda uma vida de trabalho árduo e persistente, de que resultou uma grandiosa obra conhecida e admirada em todo o mundo. No prefácio a esta edição, José Saramago afirma que "escreveu este livro porque numa antiga conversa entra amigos, daquelas que têm os adolescentes, falando uns com os outros do que gostariam de ser quando fossem grandes, disse que queria ser escritor". O sonho cumpriu-se.

José Saramago - Memorial ​Do Convento
Aproximam-se ​agora um homem que deixou a mão esquerda na guerra e uma mulher que veio ao mundo com o misterioso poder de ver o que há por trás da pele das pessoas. Ele chama-se Baltasar Mateus e tem a alcunha de Sete-Sóis, a ela conhecem-na pelo nome de Blimunda, e também pelo apodo de Sete-Luas que lhe foi acrescentado depois, porque está escrito que onde haja um sol terá de haver uma lua, e que só a presença conjunta e harmoniosa de um e do outro tornará habitável, pelo amor, a terra. Aproxima-se também um padre jesuíta chamado Bartolomeu que inventou uma máquina capaz de subir ao céu e voar sem outro combustível que não seja a vontade humana, essa que, segundo se vem dizendo, tudo pode, mas que não pôde, ou não soube, ou não quis, até hoje, ser o sol e a lua da simples bondade ou do ainda mais simples respeito. São três loucos portugueses do século XVIII, num tempo e num país onde floresceram as superstições e as fogueiras da Inquisição, onde a vaidade e a megalomania de um rei fizeram erguer um convento, um palácio e uma basílica que haveriam de assombrar o mundo exterior, no caso pouco provável de esse mundo ter olhos bastantes para ver Portugal, tal como sabemos que os tinha Blimunda para ver o que escondido estava... E também se aproxima uma multidão de milhares e milhares de homens com as mãos sujas e calosas, com o corpo exausto de haver levantado, durante anos a fio, pedra a pedra, os muros implacáveis do convento, as salas enormes do palácio, as colunas e as pilastras, as aéreas torres sineiras, a cúpula da basílica suspensa sobre o vazio. Os sons que estamos a ouvir são do cravo de Domenico Scarlatti, que não sabe se deve rir ou chorar...

Lídia Jorge - Praça ​de Londres
Diz ​uma velha canção que no fundo de uma garrafa se encontra a vida de um homem, e por certo que assim acontece desde que se inventou a fermentação do malte. Mas no meu caso basta-me um só copo girando no fundo da mão, duas boas pedras de gelo e a noite a cair sobre o lobby vulgar de um hotel, para começar a lembrar-me daquele dia em que uns certos amigos do meu pai entraram em nossa casa brandindo uma garrafeira completa, criaram um alvoroço em nome de alguma coisa que tinha a ver com vingança, e só depois dessa enorme desordem partiram entoando a canção do esquecimento como se estivessem perdidos de bêbados. E no entanto, não precisavam de ter vindo gerar aquele entretenimento forçado para compreendermos a situação em que nos encontrávamos. Por que precisaríamos?

José Rodrigues dos Santos - O ​Homem de Constantinopla
O ​Império Otomano desmorona-se e a minoria arménia é perseguida. Apanhada na voragem dos acontecimentos, a família Sarkisian refugia-se em Constantinopla. Apesar da tragédia que o rodeia, o pequeno Kaloust deixa-se encantar pela grande capital imperial e é ao atravessar o Bósforo que pela primeira vez formula a pergunta que havia de o perseguir a vida inteira: “O que é a beleza?” Cruzou-se com a mesma interrogação no rosto níveo da tímida Nunuphar, nos traços coloridos e vigorosos das telas de Rembrandt e na arquitectura complexa do traiçoeiro mundo dos negócios, arrastando-o para uma busca que fez dele o maior coleccionador de arte do seu tempo. Mas Kaloust foi mais longe do que isso. Tornou-se o homem mais rico do planeta. Inspirado em factos reais, O Homem de Constantinopla reproduz a extraordinária vida do misterioso arménio que mudou o mundo – e consagra definitivamente José Rodrigues dos Santos como autor maior das letras portuguesas e um dos grandes escritores contemporâneos.

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